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Em Memória de um grande físico Latino-Americano
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Dr. Alipio Luiz Dias Neto
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"...a relevância de sua obra cient[ífica e do seu exemplo,
que valem por uma congregação, porque é o preceptor
de muitas gerações" Afrânio Peixoto, 26 de junho de
1913, Academia Brasileira de Letras)
Alipio Luiz Dias Neto, físico-médico, cientista, pesquisador, professor, inventor, lider e fazendeiro, nascido em São Paulo, Brasil, a 10 de novembro de 1929, faleceu na cidade de São Paulo, a 9 de março de 2004, com a idade de 74 anos. Seus pais, Celeste Ibiapina Dias, formada em magistério, e Alipio Luiz Dias Junior eram fazendeiros em São José do Rio Pardo, Estado de São Paulo, onde Alipio e sua irmã Maria de Nazaré cresceram. Sua mãe deu-lhes a instrução correspondente ao curso primário na fazenda. Desde a infancia amou as lides na fazenda (uma tradiação familiar), descobrindo como as coisas funcionam e aprendendo sobre a essência de tudo. Amou a natureza, preocupando-se com sua conservação, gostava de alimentar passarinhos e sonhava com o planejamento de máquinas voadoras. Até sua morte dedicou suas horas livres ao trabalho na fazenda em São José do Rio Pardo.
Recebeu o grau de licenciado da Escola de Filosofia, Ciencias e Letras da Universidade Mackenzie, São Paulo, Brasil, em 1955. Os formados por esta Escola têm a fama de profundos conhecedores das ciências básicas, sólida cultura geral e profunda formação ética. Alípio graduou-se com todos esses atributos. O professores da Universidade Mackenzie davam mais importância ao aprendizado dos mecanismos e significado do diálogo entre as artes e as ciências e entre a diferentes matérias científicas, do que ao aprendizado enciclopédico da informação isolada.
A passagem de Alípio pelo Mackenzie determinou sua vida cientifica e profissional futuras. A natureza concedeu-lhe um cérebro excepcionalmente dotado para a matemática com rotas e sinapses ativas. Na Universidade Mackenzie aprendeu, mais cedo do que no aprendizado das profissões tradicionais, que a verdade pode ser ofuscada por conceitos místicos e alquímicos. Em conseqüência, ele escolheu a Física Médica, uma profissão baseada no diálogo entre as matemáticas e a física, a química, a instrumentação, a biologia, a anatomia, a fisiologia, a patologia, a farmacologia, a epidemiologia, a sociologia e a economia. Esta profissão permitiu-lhe estar mais próximo da verdade e compreender o âmago do assunto.
A Universidade Mackenzie deu-lhe uma formação integral, deu-lhe os instrumentos para construir sua vida intelectual e os instrumentos para construir sua vida afetiva. No curso de latim do Mackenzie ele encontrou e apaixonou-se por Maria Aparecida Rolim, com quem se casou em 12 de dezembro de 1957. Sobre as bases do amor e da mútua compreensão, eles construíram um lar modelar para a encantadora filha Cristina e seus netos Leonarde e Laura.
Sua formação inicial como físico médico foi na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) sob a tutela do Dr. Paulo Ribeiro de Arruda. Em abril de 1959, começou a trabalhar como físico no Centro de Medicina Nuclear da USP, então dirigido pelos pioneiros da Medicina Nuclear: Professores Tede e Verônica Eston, e Julio Kieffer. Alípio esteve toda a vida no Centro de Medicina Nuclear. Foi seu Diretor de 1988 a 1995. Seus colegas e a equipe do Centro de Medicina Nuclear têm grande apreço por ele, por seu cavalheirismo, sempre disponível para ouvir primeiro, falar depois.
"Para ele, ensinar era um prazer, não uma obrigação. Não esperava qualquer compensação além do prazer de ser bem sucedido" (Maria Inês Calil Cury Guimarães).
Em outubro de 1960, ele obteve uma bolsa da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), dirigindo-se a Pisa, na Itália, para um ano de estudo com o Professor Luigi Donato na Clínica Medica II da Universidade de Pisa. Ali, sua pesquisa foi sobre o registro de contagens muito rápidas.
Em 1964, a AIEA o contratou como físico na equipe da Seção de Medicina Nuclear, Divisão de Ciências Biológicas. Trabalhou nos laboratórios da sede da AIEA em Viena, Áustria, por dois anos. Nesta ocasião, pesquisou e publicou vários trabalhos sobre colimadores para cintigrafia topográfica e sobre colimadores para a medida da captação tireoidiana do radioiodo. O Professor Eloy Garcia, de Porto Alegre, Brasil, testemunhou: "quando cheguei à AIEA no fim de 1969, os cientistas e membros da equipe com que havia trabalhado ainda tinham saudades dele. Era altamente respeitado e admirado por cientistas como Loevinger, Gerry Hine, E. Hugh Belcher, Hans Vetter e muitos outros".
Voltando ao Brasil, Alípio iniciou uma pesquisa original sobre cintigrafia para sua tese de doutoramento. Em 1971, tendo obtido o título de Doutor da USP, seus colegas, estudantes e amigos passaram a chamá-lo Doutor Alípio. Contribuições para a cintigrafia de alta resolução e baixa distorção - Utilização de radiofármacos de baixa energia, este o titulo de sua tese.
Alípio era um grande e eficiente professor. Cecil Robilotta do Departamento de Física da USP afirmou: "...ele era o melhor supervisor dos estudantes de pós-graduação. Estimulava as pessoas, ajudando-as a alcançar objetivos inimagináveis. Do Professor Edwaldo Camargo da Faculdade de Medicina da USP, é o seguinte testemunho: "...Alípio mudou minha vida completamente. Apresentou-me a Henry Wagner com quem trabalhei os 10 anos mais produtivos de minha vida. A gentileza, o conhecimento e a inspiração de Alípio, vivem para sempre em todos aqueles que tiveram o privilégio de trabalhar com ele".
A Doutora Anneliese Thom, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, considera que: "Alípio teve um papel importante na formação de múltiplas gerações de Médicos Nucleares, Físicos, Radiofarmacêuticos e Tecnólogos, brasileiros e latinoamericanos".
De 1976 a 1982, Alípio foi Diretor do Serviço de Radionuclídeos do Instituto do Coração de São Paulo (INCOR). Como Diretor, ele era completamente aberto e transparente para seus docentes, estudantes e corpo técnico. O Professor Cláudio Meneghetti, da INCOR, testemunha: "... conheci o Doutor Alípio há 30 anos quando comecei minha formação como especialista em Medicina Nuclear. Desde então, aprendi com ele, a física nuclear e como funciona um grande ser humano".
Em 1982, Alípio foi designado Professor de Radiologia da Faculdade de Medicina da USP. Nesta condição, desenvolveu, promoveu e ensinou garantia e controle de qualidade como uma filosofia e como um instrumento para alcançar a excelência na prática da Medicina. Foi essencial para a organização do "Curso para treinamento à distância de tecnólogos latinoamericanos em Medicina Nuclear", um esforço cooperativo das Organizações AFRA-ARCAL-RCA. A especialista argentina em Medicina Nuclear, Doutora Victoria Soroa escreveu: "... modesto e moderado, com uma presença agradável e paternal, sempre pronto a ajudar e a ensinar com finura a todos que necessitassem". Ensinou com o mesmo interesse e dedicação a professores titulares e estudantes, indistintamente. O Professor Osvaldo Estrela Anselmi, de Porto Alegre, diz que Alípio foi "... um grande amigo e professor, que resolvia problemas intrigantes e complexos com palavras amigas".
Alípio foi um participante ativo e proeminente em reuniões cientificas nacionais e regionais. Osvaldo Santamarina, membro da comunidade industrial médico-nuclear argentina e latinoamericana diz: "... Doutor Alípio sempre esteve presente em todos os eventos científicos brasileiros e latinoamericanos relacionados a radiações, física medica, física sanitária, radioprotecão, medicina nuclear, biologia e medicina nuclear veterinária". Também participou ativamente da maioria das reuniões internacionais de Medicina Nuclear, especialmente dos organizados pela AIEA.
O Professor Eduardo Touya, de Montevidéu disse: "... Doutor Alípio Dias Neto era uma autoridade científica internacional. Era respeitado por seu conhecimento, sua dedicação e a responsabilidade demonstradas em suas tarefas. Era afável, leal, culto e animava sua personalidade com um sorriso autêntico e permanente.
Alípio era muito criativo e com muitos passatempos interessantes. Foi um entusiasta da Historia, principalmente a historia das ciências aplicadas. Organizou um original Museu de Medicina Nuclear no Centro de Medicina Nuclear da USP. As novas gerações ele levava a conhecer o museu, ensinando-lhes criatividade através do exemplo dos pioneiros e das soluções que encontraram para criar o conhecimento presente.
Alípio: é tempo de encerrarmos este diálogo e de dizer-te ADEUS. Saibas que no Museu de Medicina Nuclear do Centro de Medicina Nuclear da USP ocuparás um lugar de grande destaque. De tí, e dos teus ensinamentos, as futuras gerações aprenderão as boas práticas da medicina.
Traducción al portugues por el Profesor Eloy J. Garcia
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